Susegad

INTRODUÇÃO

 

Esta série de pinturas foi criada em homenagem a Goa e à sua cultura. Embora Dino só tenha conhecido Goa aos 44 anos, esta terra representa as suas raízes, tanto do lado materno como paterno. Foi uma descoberta perceber quanto de Goa existia dentro dele, reconhecendo a riqueza da cultura local, que quis partilhar através de uma representação figurativa, realçando os aspetos particulares que considerou mais significativos e singulares.

Susegad foi a palavra que mais profundamente o tocou e que representa a essência dessa cultura. “Tudo está bem” é uma forma goesa de estar e olhar para a vida. Nesta exposição, Dino presta homenagem a todos os amantes do optimismo, que respeitam o ritmo da natureza e vivem em harmonia.

 

A escolha de “Susegad” para título desta exposição contem em si uma interessante contradição. Significa por um lado, que João, liberto agora das atividades profissionais ligadas sobretudo à gestão, encontra em Dino, o seu lugar de felicidade e realização através da arte. No entanto, ao escolher a arte como expressão pessoal e instrumento de dedicação e afeto, escolheu também o “desassossego” que ela produz, característico de uma constante procura de caminhos que desembocam em outros e outros caminhos - esse território desassossegado, porque é uma revelação do ser na totalidade. Também é nessa verdade desassossegada que reside o seu poder, a liberdade, a força da criação, a transformação de consciência. Mas a arte não veio assim de repente ter com o Dino, andou sempre nele, com Goa a espreitar insistentemente por cima do seu ombro, à espera de condições de materialização, à espera do gatilho que só é disparado por quem procura essa vontade de preenchimento da vida e da sua generosa parti lha com os outros. Os trabalhos de Dino refletem a memória sensível das vivências pressenti das desde a infância. A série de pinturas sobre Goa revisita e reencarna a imagética que nos ficou na perceção/memória duma surpreendente viagem a Goa, numa visão pessoal experienciada através dos senti dos, e filtrada pelo tempo que expande a paisagem interior- projeções da vida senti da. São sequências narrativas resgatando lembranças que vão guiar a nossa atenção para os objetos da perceção, numa fusão do objetivo e do subjetivo. São imagens densas de paisagens e pessoas que as habitam, procuras formais, de inesperadas combinações cromáticas, num reportório em que a mimesis se alia à expressividade no domínio de técnicas de pintura.

 

Constança Vasconcelos Professora associada da ULHT

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