A Série Symphonia afirma-se como um exercício de transfiguração da forma e do gesto. Nasce de obras figurativas, mas desdobra-se em composições abstratas criadas a partir das fitas utilizadas no processo pictórico original. Estas fitas, impregnadas de cor e intenção, são retiradas e ganham nova vida enquanto fragmentos autónomos. Não são resíduos, mas antes vestígios significativos — como partituras visuais — que transportam o ritmo, a harmonia e o tempo da obra-mãe.
Neste ciclo criativo, reconhece-se uma metáfora da própria vida: a tentativa de compor com o inesperado, de encontrar sentido na imprevisibilidade. Symphonia transforma o imprevisto num gesto de beleza e reinvenção, demonstrando como, mesmo a partir do que escapa ao controlo, é possível construir uma narrativa visual coerente e tocante. A série continua a crescer, acompanhando o desenvolvimento da obra do artista — uma sinfonia em constante expansão.